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Velo Culture :: a revolução das 2 rodas

velo culture Uma aventura no mundo das bicicletas clássicas

Para Miguel Barbot e Sérgio Moura, o activismo da bicicleta surgiu pouco depois de começarem a utilizá-la como principal meio de transporte. Entusiasmados, lançaram blogues e defenderam a causa das bicicletas. O que não sabiam é que acabariam por lançar um negócio dedicado a elas.

Numa das lojas exteriores do mercado municipal de Matosinhos, uns escassos metros quadrados estão repletos de bicicletas clássicas, a maior parte delas difíceis de ver por cá (encomendá-las do estrangeiro era a única hipótese).

É a Velo Culture, a loja que Miguel, Sérgio e um terceiro sócio, Hugo Cardoso, abriram este mês. Com honras “de estado”, digamos assim: até o presidente da câmara matosinhense apareceu na inauguração.

Na Velo Culture, encontramos as bicicletas dinamarquesas Velorbis, com componentes, acabamentos e aspecto de luxo (uma “bicicleta para a vida”, diz Miguel); uma bicicleta para ir às compras no bairro, típica de Londres; “biclas” fixed gear (sem mudanças e, muitas vezes, sem travões de mão); as bem portuguesas Órbita; e as chinesas da Flying Pigeon, “o meio de transporte mais vendido do mundo” e um produto made in China ”com orgulho”.

Os preços vão desde os 200 euros das Órbita aos 1200 de uma Velorbis topo de gama. O que, vinca Miguel, não é muito dinheiro: garante que poupa 300 euros por mês desde que praticamente encostou o carro e vai para quase todo o lado de bicicleta.

“O que deu origem à empresa foi o nosso activismo”, conta Miguel, consultor transformado em microempresário, que pedala fervorosamente desde 2009.

O “activismo” fez-se sobretudo através dos blogues (Miguel abriu o Um Pé no Porto e Outro no Pedal, Sérgio criou o De Bicicleta no Porto), mas também de eventos como aCicloficina.

Acreditam que a “cycle revolution“, que já se impôs em muitos países europeus, está mesmo a chegar ao Porto e que o maior número de ciclistas urbanos não é uma moda passageira. Até porque, garante Miguel, “o Porto tem potencial para ser uma das cidades mais cicláveis da Europa”.

Desde que começou a ir para todo o lado de bicicleta, a vida de Miguel “mudou radicalmente”. E “para melhor, sem dúvida alguma”: “é um transporte mais inclusivo e social, em que podemos viver a cidade a uma escala mais humana”. “Conheço os merceeiros todos do meu bairro”, vinca.

Sérgio, o arquitecto para quem a bicicleta se tornou “um vício”, reforça: “O carro é uma preocupação”.

Os 3 portuenses decidiram montar a loja no mercado de Matosinhos porque apreciam a “geografia social”, conta Miguel, adepto do comércio tradicional e da produção manual (em breve, haverá cestos para bicicleta da Velo Culture produzidos por artesãos). E encantaram-se pelo espaço que ocupam, onde antes funcionava uma loja de sementes — as gavetas onde eram guardadas e a balança que as pesava ainda lá estão.

Source: Porto24